Embora o nosso país seja uma potência econômica, em que o Estado de São Paulo se destaca como carro-chefe nacional, a pandemia da Covid 19 mostrou claro que alguns líderes políticos não estão preparados e não têm compromisso com a coisa pública.

Já fomos a sexta potência econômica do mundo, entretanto a nossa realidade já não é a mesma, e São Paulo é, disparado, o Estado mais prejudicado pelo lockdown desnecessário, o que deixou a economia em frangalhos e no fundo do poço. Apesar disso, os esforços do presidente Jair Messias Bolsonaro foram fundamentais nos últimos dois anos e meio de seu governo, para estancar a sangria dos cofres públicos, pois a corrupção existente desde os nossos primórdios e ampliada sobremaneira durante os letais 13 anos do comando petista, o que nos deixou em maus lençóis.

Neste sentido, os observadores mais atentos e compromissados em salvaguardar nossos valores preservados pelo governo central de 2019 para cá, obviamente sabem que precisamos nos preocupar com eleições justas, democráticas e fruto do clamor popular. Por isso, no momento em que perdemos 500 mil irmãos por meio da crise sanitária que se instalou nos quatro cantos do planeta Terra, o que nos mostra claro: o equilíbrio da nação depende de eleições limpas e transparentes, pois as urnas eletrônicas, completaram 25 anos de existência em nosso país no mês de maio e não nos oferecem a garantia de que precisamos.

O voto popular é coisa séria e o maior e mais poderoso país do mundo que são os Estados Unidos da América não aceitam urnas eletrônicas em nossos moldes, pois são vulneráveis e alvos de questionamentos de toda natureza. Muitos são os especialistas que afirmam de forma categórica que nosso sistema da urna eletrônica é passível de fraude. Entre tantas desconfianças, eu relembro neste artigo e alerto a nação que, em um passado recente, um importante grupo de cientistas sociais e técnicos experientes na referida área, da Universidade de Brasília – UnB, disse que conseguiu descobrir uma fragilidade no sistema de segurança da urna eletrônica, quando esteve em teste organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE.

É importante relembrar que os questionamentos existentes em nosso país vêm de longe, ou seja, desde o início em que o atual sistema foi implantado, a desconfiança é plural e independe de ideologia, pois tivemos ao longo de nossa história, no tocante à segurança das urnas eletrônicas, denúncias formuladas pela esquerda, pelo centro e pela direita, que é conservadora. Relembremos, por exemplo, a acirrada disputa pelo governo de Brasília em 2002, quando Joaquim Roriz do PMDB obteve no segundo turno 642.256 votos contra 626.478 do petista Geraldo Magela, cuja diferença foi de apenas 15.778 sufrágios para Roriz. Com a vitória de Lula para presidente da República à época e durante a formação de seu ministério, o ex-presidente brasileiro afirmou com todas as letras para a imprensa: “Se a justiça fizer justiça no Brasil, o Magela será o governador de Brasília”, sugerindo que a eleição que se deu por meio de urna eletrônica já existente naquela ocasião teria sido fraudada por Roriz.

Outro exemplo clássico referente à segurança de nossas urnas ocorreu em 2014, na disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), oportunidade em que o Tribunal Superior Eleitoral -TSE aceitou o pedido de informações sobre as urnas eletrônicas, quando os tucanos suspeitaram de fraude, ocasião em que Dilma derrotou o neto de Tancredo Neves. Para muitos, ainda hoje paira a dúvida sobre a vitória da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, que sofreu impeachment no dia 31 de agosto de 2016.

Observo com muita atenção o posicionamento da deputada brasiliense Bia Kicis (PSL – DF), que foi iluminada ao apresentar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 135/19, que exige a impressão de cédulas em papel na votação e apreciação de eleições, plebiscitos e referendos no Brasil. A deputada Bia afirmou o seguinte: “Não basta aprovar o voto impresso antes das eleições de 2022. A não ser que 100% das urnas estejam equipadas com impressoras já no próximo pleito. Não sendo assim, continuará a haver desconfiança sobre os resultados”, disse.

Nós brasileiros de boa-fé precisamos de nos unir, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, na luta pelo voto auditável. Caso isso não ocorra ainda na eleição de 2022, obviamente vamos ter um retrocesso de duas décadas no desenvolvimento pleno da pátria amada chamada Brasil!

Por Raimundo Hermes Barbosa, presidente da Federação Nacional de Advogados e Bacharéis